quarta-feira, maio 18

Cartilha do Politicamente Incorreto FINALMENTE

Mantendo nosso compromisso de levar até você as notícias que não estão na mídia, informamos que finalmente colocamos os circuitos integrados sobre um arquivo oficial com o texto completo da Cartilha do Politicamente correto.

A versão que temos em mãos chama-se "Politicamente Correto & Direitos Humanos", o que já é diferente do que se vinha publicando, assinada por Antônio Carlos Queiroz, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos. Sua ficha bibliográfica coloca a data em 2004, e o arquivo indica a data mais antiga para 11 de agosto de 2004. Portanto, andou circulando muito à portas fechadas.

Pensávamos que era uma lista de 96 palavras que mídia e políticos deveriam evitar, mas é um livro com 88 páginas explicando porque não se deve utilizar este ou aquele termo. Primeiro parágrafo:

"A Secretaria Especial dos Direitos Humanos, vinculada à Presidência da República, com vistas a colaborar para a construção de uma cultura de direitos humanos, apresenta a cartilha "Politicamente Correto e Direitos Humanos" como forma de chamar a atenção de toda a sociedade para o que o historiador Jaime Pinsky chamou de "os preconceitos nossos de cada dia"."

Indo logo ao que interessa, o termo "judiar" é o número 55, com a seguinte definição: "Judiar – Verbo de conotação pejorativa contra os judeus, originado na leitura dos Evangelhos segundo a qual foram eles, e não os soldados romanos, os que torturaram e assassinaram Jesus Cristo."

Pessoalmente, preferia uma redação "...segundo a qual teriam sido eles, e não os soldados romanos..."

Todos os termos pejorativos utilizados dentro do universo afro-descendente estão contidos no livro. Após ler o material posso afirmar que são totalmente falsas as afirmativas de que este material seria a constituição de censura aos jornalistas e escritores, que cercearia a liberdade de imprensa ou de que seria uma forma do governo privilegiar as críticas feitas pela esquerda e tentar impedir as vindas da direita. Quem escreveu dessa forma não leu as 88 páginas.

Outras definições dentro do universo anti-semita

Comunista – Termo utilizado até recentemente para discriminar ou justificar perseguições a qualquer militante de esquerda ou de causas sociais. Desde as revoluções que explodiram na Europa, no final dos anos 40 do século 19, e principalmente depois da Revolução Russa, em 1917, os adeptos do socialismo e do comunismo tornaram-se os principais alvos das polícias dos Estados liberais e dos propagandistas do capitalismo. Contra eles foram inventadas as piores calúnias e insultos, para justificar campanhas de perseguição que resultaram em assassinatos em massa, de caráter genocida, por exemplo, durante o regime nazista na Alemanha; o golpe de Estado de 1965, na Indonésia; e todos os golpes militares ocorridos nos países latino-americanos, incluindo o Brasil, nas décadas de 60 e 70.

Fanático – Conforme o livro "Faces do fanatismo", organizado por Jaime Pinsky e Carla Bassanezzi Pinsky, fanatismo é um termo cunhado no século XVIII para denominar partidários extremistas, exaltados e acríticos de uma causa religiosa ou política. Com base na certeza absoluta e incontestável a respeito de suas verdades, os indivíduos e os grupos fanáticos são levados a praticar violências contra outras pessoas, prejudicando a sua liberdade e atentando contra a sua vida.

Fascista – A palavra muitas vezes é utilizada por militantes de esquerda para desqualificar adversários de direita, embora se refira, especificamente, aos adeptos do sistema político ditatorial cujas maiores expressões históricas foram os regimes da Itália de Benito Mussolini e a Alemanha de Adolf Hitler, entre as décadas de 20 e 40 do século 20. Algumas de suas características: monopólio da representação política por um partido único de massas; centralização extremada do poder político, com a eliminação das liberdades democráticas, e a montagem de um sistema agressivo de propaganda; eliminação da oposição pela violência e o terror; ideologia baseada no culto ao líder político, na glorificação da coletividade nacional, no ódio racial, no desprezo ao individualismo liberal, na oposição ao comunismo e ao socialismo e na colaboração de classes; dirigismo estatal das relações econômicas, sociais, políticas e culturais, de acordo com uma lógica totalitária. (ver o verbete "Nazista")

Gringo – Termo utilizado no Brasil para discriminar qualquer estrangeiro. Em alguns países latino-americanos, como o México, refere-se especificamente aos estadunidenses. A palavra tem caráter xenófobo, isto é, serve para expressar menosprezo ou ódio aos estrangeiros.

Latino-americanos – A expressão, cunhada por geopolíticos franceses, designa imprecisamente os habitantes dos países situados abaixo dos Estados Unidos, do México à Argentina. A rigor, deveria incluir os canadenses da província canadense do Quebeque. E não retrata os povos de língua inglesa de alguns países do Caribe, como Barbados, nem os da Guiana e do Suriname, este último de língua neerlandesa, na América do Sul. O mais curioso, entretanto, é que os brasileiros em geral não se consideram latino-americanos, o que denota um preconceito muito disseminado e uma injustificável auto-exclusão de uma comunidade de nações com características de origem majoritariamente comuns, a cultura ibérica.

Minorias – Subgrupos sociais que se consideram ou são considerados diferentes do grupo majoritário ou dominante, devido às suas características étnicas, religiosas, políticas, raciais, e que, por esse motivo, gozam de menos direitos ou são alvo de discriminação e preconceito. É o caso das minorias indígenas, dos ciganos e das colônias formadas por estrangeiros. O termo pode confundir quando é utilizado sem se levar em conta o peso demográfico do grupo referido. Até há pouco tempo, os negros e até as mulheres eram chamados de minoria, a despeito de sua relevância estatística.

Nazista – O termo refere-se ao adepto da doutrina do nacional-socialismo alemão, uma variação do fascismo, fundada por Adolf Hitler (1889-1945), e base do regime político da Alemanha entre 1933 e 1945, que provocou a Segunda Guerra Mundial. Entretanto, é utilizado preconceituosamente, como "fascista" (ver), para desqualificar os adversários políticos de direita, do mesmo modo como o adjetivo "comunista" (ver) é usado para xingar os adversários de esquerda.

Turco – Termo genérico para designar os imigrantes árabes em geral, mas, em especial, os sírios e libaneses, que portavam, no início do século 20, passaportes emitidos pelo Império Otomano , governado pelos turcos. O vendedor ambulante ou mascate é a figura estereotipada do "turco", como em alguns romances de Jorge Amado.

Xiíta – Fiel de um dos dois principais ramos do islamismo, que se baseia na doutrina de que os sucessores do profeta Maomé, o fundador da religião, deveriam ser obrigatoriamente seus descendentes consangüíneos. Por essa razão, os xiítas acabaram se tornando mais ortodoxos do que os seus rivais os sunitas, dando origem, no Brasil, ao termo pejorativo que caracteriza os militantes políticos tidos como radicais e inflexíveis.