sexta-feira, julho 8

Loucuras do Desarmamento

Pouca gente percebe que o "Big Brother" não acabou. O Canal 10 da NET, TV Câmara, mostra as seções do Congresso ao vivo e é muito mais divertido.

Na votação do plebiscito da "Proibição de Venda de Armas", o texto foi alterado em relação ao original para "Proibição de Venda de Armas e Munições". Os partidários do governo mais chegado ao povo que tivemos desde o início dos anos 1960, não se importam em vincular um custo de 500 milhões de reais para este plebiscito que poderia ser adiado por um ano, para não ter custo algum, junto com as eleições de 2006. Mas quem vai se revoltar com esses 500? Os famintos? Os miseráveis? Os intelectuais? A classe média?

Alguns discursos chamaram a atenção. O deputado Enéas, líder do PRONA, disse que o desarmamento é uma conspiração internacional das pessoas que controlam o mundo e dominam a mídia, acrescentando "que vocês sabem de quem eu estou falando", disse o deputado. Bem, mais Protocolos dos Sábios de Sião que esta frase, impossível. Só que muitas vezes o que parece não é. O deputado Enéas é conhecido por defender a tese de Lindon Larrouche de que existem 250 famílias (a maioria da nobresa européia) que controlam o mundo.

Já os deputados do PT e PCdoB que são favoráveis a uma população desarmada, tentam enganar a opinião pública, dizendo que há 17 milhões de armas no país (cerca de apenas 3 milhões legais e registradas - mas isso eles não dizem) e que o programa de devolução voluntária deveria ter arrecadado apenas 80 mil delas, portanto, foi um sucesso inesperado com o recolhimento de 330 mil armas, segundo o líder do governo, deputado Fernando Chinaglia.

Na falácia de sua argumentação, a proibição da venda de armas até o final do ano, deveria fazer desaparecer, como por encanto, estas 17 milhões de armas. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Continuam enganando a população afirmando que é muito fácil comprar uma arma no Brasil, esquecendo do altíssimo preço delas e de seu registro, além da tonelada de documentos e certidões, testes psicológicos etc exigidas atualmente.

No Rio de Janeiro, praticamente não se vende armas desde a promulgação do Estatuto do Desarmamento. O estado foi um dos que mais recolheu, já que o Viva Rio e Viva o Crime está por aqui e a violência come solta. Isso não é culpa do governo nem do secretário de segurança: é culpa de uma política nacional que mira para o lado errado da questão e garante ao bandido a certeza de que não haverá cidadãos armados para reagir e que a polícia trabalhará sempre como o Corpo de Bombeiros, chegando depois do incêndio começar e investigando o que o causou. Corpo de Bombeiros não previne incêndios, da mesma forma que a Lei e o modelo policial e principalmente o Penal, não previnem o crime.

Todos os deputados, mesmo os que defendem o desarmamento da população, já estão mudando o discurso para "evitar apenas os crimes fúteis e passionais, as crianças que matam crianças com as armas dos pais", deixando completamente de lado a bandidagem armada, o tráfico de drogas, o crime organizado e desorganizado, com equipamento militar ou não, dizendo que o combate a eles é um "dever do Estado", esquecendo que eles são o Estado, eles são o Governo, portanto o dever é deles!

Causou ainda espanto o líder do PSDB, deputado Alberto Goldman, quando aos gritos, declarava que um cidadão armado NUNCA poderá se defender de um criminoso. Se o deputado ler este texto, gostaria de lembrar a ele que a "legítima defesa", não sendo crime, não entra nas estatísticas de crimes por armas de fogo, e que todas as vezes que uma arma evitou um crime, o crime não se concretizou, portanto nunca houve registro policial deste tipo de incidente, coisa muito óbvia.

Mas o pior de tudo ficou para alguns deputados da base do governo, da esquerda mais radical, que disseram que o Brasil deve fechar suas fábricas de armas e seguir o modelo de desarmamento bem sucedido na Colômbia, um exemplo para o mundo. Que loucura! A opção por ignorar as milícias para-militares de direita, as de esquerda e as FARC-EP que possuem mais de 30 mil "soldados" e controlam uma área territorial equivalente a da Suiça é o modelo a ser seguido no Brasil... É basicamente o mesmo grupo que apoia ou se cala quando o presidente da Venezuela anuncia abertamente a criação de uma milícia de 100 mil homens, recrutados entre os desempregados e a importação de 100 mil fuzis AK47 para armá-los. Fico imaginando se um dia algum de nossos presidentes vai transformar o MST numa FARC ou numa milícia chavista. Lamentável.