quinta-feira, dezembro 29

Evo Morales chama Bush de "terrorista" em entrevista à Al Jazira

EFE - YahooNews Cairo, 29 dez (EFE).- O presidente eleito da Bolívia, Evo Morales, disse em entrevista à rede de televisão Al Jazira que o presidente dos Estados Unidos, George W.Bush, é "o único terrorista", e denunciou uma "guerra suja" dos Estados Unidos contra ele.

"Bush é o único terrorista, porque é o único que intervém militarmente nos assuntos de outros países. Isso é terrorismo de Estado, mas aqueles que reivindicam seus direitos, esses não são terroristas", disse Morales, segundo a tradução da entrevista, emitida pela rede na manhã de hoje.

"Eles (a administração dos EUA) são os assassinos, por praticar o terrorismo de Estado e lançar uma guerra suja contra nós", disse Morales, que considerou a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, como "Dona Condolência".

Morales também se referiu à presença militar dos EUA na Bolívia, e advertiu que não permitirá que nenhum soldado americano saia de suas bases vestindo o uniforme, porque "quero fazê-los respeitar a Constituição de nosso país".

Ao explicar seus polêmicos planos para nacionalizar os recursos petrolíferos e do gás, Morales disse que não pretende confiscar as propriedades das companhias estrangeiras que investiram nesses setores.

"Se estas companhias aceitarem ser nossas parceiras, daremos a elas as boas-vindas, mas, segundo novas regras, não do pressuposto de que estas companhias são donas legítimas de nossos recursos naturais", disse.

"Não buscamos confiscar as propriedades destas empresas ou sua tecnologia; queremos ser parceiros em pé de igualdade para nos beneficiar das receitas, criar novos empregos, erradicar o analfabetismo e fazer da Bolívia uma nação industrial", esclareceu.

Segundo Morales, "precisamos de parceiros e não donos; vou me coordenar com o presidente venezuelano (Hugo) Chávez, os presidentes do Brasil e da Argentina e de outros países, como parte de uma campanha para recuperar o controle de nossos recursos naturais sem esperar que os EUA ou o Banco Mundial venham nos ajudar"