quarta-feira, janeiro 18

Aumento do anti-semitismo preocupa papa Bento XVI

(JC Online - Recife - 16/jan/2005) http://jc.uol.com.br/2006/01/16/not_104481.php

O papa Bento XVI expressou nesta segunda-feira (16) preocupação com o aumento do anti-semitismo e pediu que se combatam com determinação o ódio, as incompreensões, as injustiças e a violência.

O Pontífice se expressou assim no discurso que dirigiu ao rabino-chefe de Roma, Riccardo De Segni, que foi recebido no Vaticano junto a uma ampla delegação judaica da capital italiana.

Bento XVI disse que estava muito feliz pela visita da comunidade judaica romana, presente na cidade há mais de 2 mil anos, e reiterou que a Igreja Católica "está próxima e é amiga" do povo judeu.

O Bispo de Roma acrescentou que, após o Concílio Vaticano II (que deu origem à declaração "Nostra Aetate", na qual os católicos retiraram as acusações contra os judeus), aumentou a estima e a confiança recíproca entre cristãos e judeus.

O papa disse que os cristãos sabem que junto aos judeus "têm a responsabilidade de cooperar para o bem-estar de todos os povos, na justiça e na paz, na verdade e na liberdade, na santidade e no amor".

"Levando em conta esta missão, temos de denunciar e combater com decisão o ódio e as incompreensões, as injustiças e a violência que continuam preocupando os homens e mulheres de boa vontade. Estamos tristes e preocupados com as renovadas manifestações de anti-semitismo que continuam se registrando", ressaltou Bento XVI.

Riccardo De Segni agradeceu as "ações" e "declarações" feitas por Bento XVI em seu meses de pontificado, "nas quais condenou o anti-semitismo e o terrorismo fundamentalista".

De Segni lembrou a figura de João Paulo II, "o papa que mais contribuiu para a melhora das relações entre cristãos e judeus". O rabino-chefe de Roma convidou Bento XVI para visitar a sinagoga da capital, a mesma que João Paulo II visitou há 20 anos, em abril de 1986.

Karol Wojtyla foi o primeiro papa da história de Igreja a entrar num templo judaico. Em agosto passado, em visita à Alemanha, Bento XVI entrou na sinagoga de Colônia, cuja comunidade foi duramente perseguida no regime nazista. Foi a primeira vez que um papa e nesta caso alemão pisava um templo judaico da Alemanha.