segunda-feira, janeiro 30

Aviolência contra as mulheres no Holocausto

(Michèlle Canes - Da Agência Brasil )

Brasília – No passado, as mulheres costumavam ser poupadas durante as guerras. Enquanto os maridos era enviados aos campos de batalhas, elas ficavam no país com os filhos. Mas durante o regime nazista de Adolf Hitler as mulheres também foram vistas como inimigos de batalha. Faziam trabalhos forçados, sofriam abuso sexual e morriam em câmaras de gás.

A pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP), Rochelle Saidel, estuda há 20 anos a violência contra as mulheres no Holocausto. Ela faz parte do grupo de estudo de mulheres e relações sociais de gênero (Nenge – Usp) e é autora do livro "The Jewish Women of Ravensbrück Concentration Camp" (As judias do campo de concentração de Ravensbrück). A publicação conta o sofrimento das prisioneiras que passaram pelo campo específico para mulheres, localizado próximo a Berlim.

Saidel considera a data escolhida pela Organização das Nações Unidas (Onu) para lembrar o sofrimento das vítimas do Holocausto – 27 de janeiro - como um momento importante de aprendizado. "Agora, temos novos genocídios no mundo, como o ocorrido em Ruanda. Eu acho importante lembrar as histórias e lições do passado para que essas coisas não aconteçam hoje e também no futuro", alerta.

Segundo a pesquisadora, durante a Segunda Guerra Mundial, as judias executavam trabalhos semelhantes aos feitos pelos homens. Elas carregavam muito peso e eram usadas como mão-de-obra em fábricas da época. "O trabalho é o mesmo, mas a mulher tem um músculo mais fraco, é um fator biológico e elas precisavam fazer o mesmo trabalho. Era mais difícil para elas porque elas faziam construções, carregavam madeira, árvores. Eram coisas muito pesadas", revela Saidel.

E o sofrimento ia além do trabalho forçado. Ir para um campo de concentração significava, na maioria das vezes, morrer e se separar dos filhos, que também eram assassinados: "Quando uma família chegava, tinha uma separação. Geralmente a mãe ia para a câmara de gás com as crianças e o pai ficava no trabalho forçado".

As mulheres grávidas também não eram poupadas. Elas eram mandadas para a câmara de gás por não poder trabalhar e porque "ainda dariam a luz a um outro judeu". Tendo que suportar tantas agressões, as mulheres ainda eram abusadas sexualmente. Rochelle Saidel conta que muitas acabavam levadas para uma espécie de bordel dentro dos campos para satisfazer alguns homens.

"Abuso sexual também era um problema. Tinha contra os homens, mas era bem menos. Tinha também a prostituição forçada para as mulheres. As mulheres eram forçadas a irem para bordéis e voltavam muito doente para os campos", revela a professora.

De acordo com ela, as mulheres de Ravensbrück escreviam muitas receitas e conversavam sobre cozinha. Chegaram a escrever até mesmo livros. Tudo com a intenção de lembrar, com a comida, das famílias que perderam durante o Holocausto.