quarta-feira, janeiro 18

Telas de Klimt roubadas por nazistas devem ficar na Áustria

(Reuters - Último Segundo 17/01)

VIENA (Reuters) - Uma mulher que ganhou uma disputa com o governo austríaco pela posse das pinturas de Gustav Klimt tomadas durante o regime nazista disse que quer que as obras mais famosas do mestre da Art Nouveau permaneçam na Áustria, mas Viena disse que não pode comprá-las.

Uma corte decretou na segunda-feira que a Áustria devolva cinco telas de Klimt para Maria Altmann, herdeira do dono original das obras, um judeu que foi obrigado a fugir do país por causa da ocupação nazista.

As telas, que segundo especialistas valem mais de 100 milhões de euros, incluem uma das pinturas mais famosas de Klimt, "Adele Bloch-Bauer I", um retrato da mulher do dono original cercada de ouro, e um segundo retrato dela.

"Gostaria que os retratos permanecessem na Áustria", disse Altmann à televisão austríaca na segunda-feira, acrescentando que queria que os trabalhos ficassem em museus.

As pinturas foram tomadas pelos nazistas quando a Alemanha anexou a Áustria em 1938 e foram exibidas na Galeria Belvedere, na Áustria, depois da Segunda Guerra Mundial. Elas estão no mesmo local desde então.

A ministra da Cultura austríaca, Elisabeth Gehrer, disse que a Áustria não teria como pagar as telas, citando relatos da mídia de que "Adele Bloch-Bauer I", também chamada de "Golden Adele", valeria, sozinha, entre 70 milhões e 100 milhões de euros.

"Setenta milhões de euros é o orçamento total para todos os museus da Áustria -- todos os museus públicos", disse Gehrer à rádio estatal austríaca, acrescentando que o governo acataria a decisão da justiça e entregaria as pinturas.

"Isso significa que não somos financeiramente capazes de adquirir (as telas), mas as negociações acontecerão. Talvez haja patrocinadores ou a própria família esteja preparada a fazer algo, como um empréstimo", disse Gehrer.

Altmann, 89 anos, a sobrinha do proprietário das telas, o magnata do açúcar tcheco Ferdinand Bloch-Bauer, processou a Áustria em 1999. Ela e o governo austríaco concordaram em aceitar a decisão de uma corte em Viena, que decidiu a favor da herdeira.

Quando a mulher de Bloch-Bauer, Adele, morreu em 1925, ela deixou um testamento pedindo a seu marido que deixasse seu retrato em uma galeria austríaca depois que ele morresse. Ferdinand Bloch-Bauer fugiu de Viena para a Suíça, onde morreu em 1945.

Em seu testamento, ele deixou tudo para sobrinhos e sobrinhas, incluindo Altmann. Mas sua família concordou em 1946 que as pinturas pertenciam ao governo austríaco, baseando-se no testamento da sua esposa.

Altmann, que fugiu para a Califórnia para escapar dos nazistas e que hoje é a única herdeira viva de Ferdinand Bloch-Bauer, disse que a família foi obrigada a abrir mãos dos direitos sobre as pinturas em 1946 e que foi enganada pelo governo austríaco.

Telas de Klimt de importância similar aos retratos de Adele são raramente vendidas em leilões. Em 2003, uma paisagem mostrando uma casa de campo em Attersee na Áustria mudou de mãos por 26 milhões de dólares em um leilão da Sotheby's em Nova York.