domingo, março 19

CHACINA DE INOCENTES

* por Marx Golgher

(Publicado no jornal O Tempo, de Belo Horizonte, em 18 de março de 2006)

A crise deflagrada pela reação no mundo muçulmano à publicação de charges dinamarquesas com a figura de Maomé com turbante em forma de bomba produziu um tsunami de irracionalidades. Entre as reações, não faltou quem acusasse o Ocidente de se servir da liberdade de expressão para blasfemar contra o Islã, ignorando que as charges foram feitas em função do terror da guerra santa islamita, a Jihad, perpetrado em nome do profeta. O que nada tem a ver com religião, que significa tolerância, amor, justiça, fraternidade...

Vem evidenciar isso o sacrifício de inocentes brasileiros na Jihad. Lembrá-lo, ajuda-nos a entender as razões das charges dinamarquesas. Quem são esses brasileiros, e o que fizeram para serem massacrados em nome do profeta?

1) João José de Vasconcellos Júnior, engenheiro, trabalhava na construção de uma termoelétrica por empreiteira brasileira que iria beneficiar os iraquianos, quando foi seqüestrado por grupos terroristas do Islã, as Brigadas Mujahidin e o Exército de Ansar al Sunna; não se sabe seu destino.

2) Anne Marie Sallerin Ferreira, Ivan Fairbanks Barbosa, Sandra Fajardo Smiths e Nilton Albuquerque trabalhavam nas torres gêmeas de Nova York quando foram assassinados pelos aviões-bombas do profeta.

3) Sérgio Santos da Silva foi morto junto com 200 trabalhadores nas explosões dos trens urbanos de Madri.

4) O sargento Marco Antônio Farias foi assassinado no atentado de Bali. Servia à ONU no Timor Leste para garantir a independência do país, pondo fim ao genocídio de cristãos patrocinado pela Indonésia islamita.

5) Sérgio Vieira de Mello, um dos mais brilhantes diplomatas das Nações Unidas, foi morto na sede da organização no Iraque, quando tratava da defesa dos direitos humanos do povo iraquiano sob intervenção dos Estados Unidos.

Como se constata, nenhum dos brasileiros ofendeu o Islã. São todos inocentes. Mas jamais a Conferência Mundial Islâmica, tampouco a Conferência Árabe da América Latina, realizada no Brasil, manifestaram pesar ou pediram desculpas pelo ocorrido, embora proclamem uma grande amizade ao nosso país...

Os brasileiros foram assassinados na Jihad porque eram infiéis cristãos. As charges dinamarquesas não são, pois, blasfêmias contra o Islã, são protestos contra a chacina de milhares de inocentes em nome do profeta. O assassinato dos brasileiros prova e comprova a verdade revelada nos desenhos escandinavos.

* Marx Golgher - Médico e ex-presidente Federeração Israelita de Minas Gerais

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