domingo, março 12

Milosevic - o homem sem religião

Milosevic está morto. Após todos estes anos da Guerra do Bálcãs a mídia ocidental não mudou absolutamente nada, no Brasil e no mundo, prestando um serviço de desinformação intencional. O discurso falso de 20 anos atrás continua impregnado até hoje, mesmo que jornalistas e editores sejam outros. Ninguém aprendeu nada!

Para Milosevic e os sérvios foi criada uma nova religião. Milosevic é um "ortodoxo". Não um cristão ortodoxo. E esses "ortodoxos" atacaram croatas (sem religião) e muçulmanos (sem nacionalidade, mesmo sendo da Bósnia). A visão cristã não ortodoxa de se distanciar dos conflitos por motivação religiosa é lamentável. Com esse distanciamento praticamente ninguém entende por que o outro lado, os muçulmanos, estão em guerra santa: afinal, "santa contra quem, se nós não fazemos nada"?

Na ex-Iugoslávia cristãos ortodoxos massacraram muçulmanos bósnios e no Líbano cristãos ortodoxos entraram em guerra contra muçulmanos libaneses e palestinos. Na Chechênia e outros "quistões" ex-soviéticos, o renascimento do islã e do cristianismo ortodoxo levou a uma convivência pela espada após a queda do comunismo. Mas na mídia o caráter cristão é removido. Como também sempre é removida a intervenção americana e alemã (onde não há cristãos ortodoxos) em favor dos muçulmanos bósnios e não ao lado dos sérvios cristãos como deveria ser esperado. Quem apoiou os cristãos ortodoxos no Líbano foi Israel, mesmo que seus próprios cristãos ortodoxos sejam alinhados abertamente com os palestinos e na época participavam de um dos grupos terroristas: a FPLP – Frente Popular para Libertação da Palestina.

A Guerra dos Bálcãs foi um acerto de contas regional aguardado desde a Segunda Guerra Mundial. Não custa lembrar que a Primeira Guerra Mundial também começou ali, quando o arquiduque Ferdinando, da Áustria (Império Austro-Húngaro) foi morto em Sarajevo, num atentado atribuído à "anarquistas". Por ali ficava a linha de frente estática da disputa pela Europa entre o Império Turco-Otomano (800 anos de conflito), e o Austro-Húngaro junto aos outros estados europeus. Na verdade, perdendo a Primeira Guerra junto com a Alemanha, os turcos perderam todas as suas possessões, incluindo aí todo o Oriente Médio, retalhado no mapa entre Inglaterra e França, apesar da França não ter "ganho" a Primeira Guerra, nem a Segunda: perdeu as duas e foi salva por Inglaterra e depois Estados Unidos.

Na Segunda Guerra, foi na Iugoslávia que o al-Husseini, o mufti de Jerusalém e tio de Yasser Arafat, recrutou e formou a brigada muçulmana da SS (veja foto ao lado, de um jornal da SS de 1943).

Na Iugoslávia dos anos 40, os muçulmanos usavam a suástica em seus uniformes e além dos judeus, os cristãos ortodoxos sérvios foram perseguidos e massacrados, pelos descendentes do Império Turco-Otomano que ainda estavam por lá, em Montenegro e na Albânia. Em contraposição a guerrilha do general Tito, de caráter comunista, lutou durante toda a Segunda Guerra contra alemães e bósnios. Nessa guerrilha, alinhavam basicamente sérvios cristãos ortodoxos e judeus, que possuiam unidades e batalhões inteiros, tendo fornecido comandantes para outras unidades não compostas por judeus. A resistência judaica na Segunda Guerra se reveste de um caráter especial na Iugoslávia pois a luta era contra muçulmanos nazistas, única unidade alemã a qual foi permitido o uso de um uniforme diferenciado com o barrete turco vermelho.

judeu