sexta-feira, março 10

O caso uraniano

Não dá para analisar, especular ou traçar cenários para o Irã e seu programa nuclear. Os pronunciamentos dos líderes de Teerã mudam ao longo do dia. Ministros se contradizem e o canalha-de-teerã chama os repórteres e dá pronunciamentos bombásticos atrás do ramalhete de microfones e o mundo muda, ou se cala.

Há alguns pontos a considerar e relacionar com a história do desenvolvimento nuclear. Sempre foi muito claro que os países que detinham a tecnologia da bomba criavam o maior caso a cada novo país que parecia iniciar um programa nuclear com fins militares. Destes, o único que abandonou realmente um programa confesso foi o Brasil. Até hoje não se sabe se por motivos políticos, por falta de dinheiro ou por simplesmente não haver necessidade de explodir bomba alguma, com o dispositivo sendo simulado por computador.

Outros países como Israel, África do Sul e Austrália sempre foram acusados de possuir a bomba sem terem feito nenhuma explosão. Há no mundo 35 países com capacidade nuclear e poucos deles com bombas próprias. Seriam: Estados Unidos, Rússia, China, Inglaterra, França, Coréia do Norte (ainda não explodiu, mas disse que tem), Índia e Paquistão. Os outros, possuem programas nucleares pacíficos, realmente necessários para geração elétrica e produção de isótopos radioativos para fins médicos, industriais e agrícolas.

Quando Índia e Paquistão anunciaram não só programas nucleares para produção de bomba mas também de mísseis capazes de jogá-la no outro país, houve um problema ainda maior que o atual. Índia, sempre apoiada pela União Soviética e Paquistão pelos Estados Unidos. Os dois países vizinhos foram à guerra por três vezes desde 1947 (Partilha do Sub-Continente Indiano) e só não tiveram ainda a quarta, devido à posse do arsenal nuclear. Na época se pensava no domínio soviético do Oceano Índico e no Paquistão como sendo o fornecedor da "bomba islâmica" - visões hoje sabidamente equivocadas.

O produto de exportação do Irã não é mais só o petróleo: em 2005 exportou 14 milhões de toneladas de trigo. As coisas estão mudando por lá. Todos os países produtores de petróleo trabalham com a perspectiva de fim do produto para cerca do ano 2040 (nos anos 60 a certeza era o ano 2000) e precisam dominar novas tecnologias ou mudar de ramo. Têm dinheiro sobrando para isso. Um dos exemplos mais nítidos é Dubai, um paraíso que mudou a face do deserto e criou uma empresa para controlar portos no mundo inteiro, impedida, ontem, de assumir o controle de portos americanos, mesmo sendo uma empresa confiável para Israel e que administra os portos ingleses sem ninguém se dar conta disso. A dessalinização (Arábia Saudita) e energia nuclear são essenciais para estes países: não hoje, mas historicamente em um prazo muito curto. Poucos outros países podem investir nisso neste momento.

Olhando o canalha-de-teerã e seus discursos atômicos e "holocáusticos" eu vejo, além do anti-semitismo exatamente igual ao do regime do aiatolá Khomeini, uma estratégia de marketing nojenta, comprada por todos os países. Holocausto não existiu: sobe o preço do petróleo. Existiu mas não morreram seis milhões: sobe o preço do petróleo. Vou ligar a usina nuclear: sobe o preço do petróleo. Vou desligar mas ligo quando quiser: sobe o preço do petróleo. Vou apoiar o Hamas: sobe o preço do petróleo. E sobe para todos os países da OPEP, responsável por 30 milhões de barris diários (2005) a 1,8 bilhões de dólares/dia e para todos os países que não pertencem a OPEP (Argélia, Indonésia, Irã, Kuwait, Líbia, Nigéria, Qatar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Venezuela - somente), como Rússia, China, México, EUA e Brasil.

Outros países fora da OPEP que se beneficiam com os discrusos do Irã, são:

Noruega (2,9 milhões de barris/dia) e envolvida nas charges de Maomé - note que aquele pais pequeno, rural e quieto equivale a 10% da OPEP inteira... - , Inglaterra (1,6 milhões/dia), operações do Mar do Norte (Inglaterra, Noruega, Dinamarca, Holanda e Alemanha) inacreditáveis 4,7 milhões de barris/dia, Angola, Argentina, Brasil (1,6 milhões/dia), Canadá (2,6), China (3,6), Colômbia, Equador, Egito, Gabão, Índia, Malásia, México (3,6) Oman, Rússia (9 milhões de barris/dia), Síria, Estados Unidos (5,1)

Portanto, a matemática do óleo é crua: a produção mundial de petróleo em 2005 foi de 73,5 milhões de barris/dia, dos quais a OPEP é responsável apenas por 40%. Passa-se sempre a imagem de que os países árabes estrangulam as outras nações pelo preço do petróleo, mas depois de você ver essa pequena tabela, sua idéia deve mudar. Note que antes da Guerra do Yom Kippur (1973) o preço do barril era de 4 dólares. Durante a guerra passou para 7 e depois dela, com a não destruição de Israel, o petróleo começou a ser usado como arma de submissão global e subiu para 17 dólares. Hoje, falamos de 61 dólares e a previsão para 2010 é de 100 dólares o barril. Para ficar mais claro, o petróleo faz trocar de mãos 4,5 bilhões de dólares por dia! Por ordem de produção temos: Arábia Saudita, Rússia, Mar do Norte, Estados Unidos, Irã, China, México e Kuwait respectivamente.

O discurso iraniano interessa a muitos países. Com ele é possível aumentar os preços ou mantê-los altos sem um conflito real. Dentro deste discurso já ficou claro o quanto o Irã apóia e incentiva o revisionismo do Holocausto. Mas não fica muito claro quem pressiona o Irã. Neste caso, seu maior cliente na conta petróleo é a China, seguida pelo Japão. É óbvio que na louca mistura que se tornou o maoismo-capitalista chinês, complicar a vida dos americanos e europeus está na agenda. Mas também não pode interessar aos chineses uma conta de petróleo alta demais senão vão dar um tiro nos próprios pneus de sua modernização.

Com as relações com China e Coréia do Norte, além dos anos de acordos com a Rússia, quem pode realmente acreditar que o Irã precisa desenvolver tecnologia nuclear própria? Será que não basta comprar e montar? E é preciso de um reator para fazer a bomba? Claro que não. A bomba, nos anos 40 veio bem antes dos reatores. É preciso de um aparelho chamado "centrífuga" para enriquecer o urânio. Lembram do Muamar Kadafi entregando para a IEA uma centrífuga que estava na Líbia e ninguém sabia? Isso quer dizer que elas podem estar em qualquer lugar e ninguém vai realmente saber. Em notícias pouco divulgadas e lidas, até porque são técnicas, nos primeiros 15 dias de fevereiro o Irã ligou sua primeira centrífuga, depois uma cascata de 15 aparelhos e em seguida uma de 20. Portanto, está enriquecendo urânio, rapidamente, há mais de 30 dias, sem reator nenhum na história.

Há alguns ufanistas e saudosistas que acham que se o "mundo" não tomar providências, Israel vai atacar sozinho o Irã e destruir seu programa nuclear como fez com o Iraque. Ah... Mas os tempo mudaram. O reator iraquiano foi atacado antes de entrar em funcionamento, sem possibilidade de vazamento de nuvens radioativas, e o programa de Saddan estava concentrado num só local. Não pense por um minuto que o canalha-de-teerã e seu séquito são grotescos ou ignorantes: são muito inteligentes e expertos. É um dado conhecido que o programa nuclear iraniano está espalhado por 100 instalações diferentes no país, que é enorme. Obviamente as mais importantes estão fortemente defendidas por artilharia e mísseis anti-aéreos, alem de serem subterrâneas. O enorme reator não é. Todo dia aparece na TV. Mas alguém acha que depois do que ocorreu no Iraque e com dinheiro à disposição, aquele reator não tem uns 3 metros de espessura de parede de concreto? É claro que tem. Aquela coisa só vem abaixo com uma explosão nuclear!

E é isso que pode acontecer. Ao contrário de bombardeio convencional quando peças e partes das bombas sobrevivem para serem identificadas, um ataque nuclear não deixaria vestígios óbvios. Poderia ser atribuído até a um acidente com o reator: "quem mandou vocês mexerem com coisas que não sabem usar"?

Mas é mais fácil o governo iraniano ser derrubado que as paredes de seu reator...

E resta uma pergunta: o Irã tem direito, como qualquer outro país a ter um programa nuclear com fins pacíficos pelos acordos internacionais. Mas quem acredita que o Irã, tendo a bomba iria deixar de usá-la? Talvez devêssemos retornar ao Paquistão, que não usou suas bombas, ou à Coréia do Norte que ruge e fica nisso. E se fosse usar? Quem o Irã atacaria? Bombardearia Jerusalém? Claro que não! Atacaria Tel-Aviv matando judeus, palestinos, árabes, muçulmanos numa carnificina só? É improvável. Então, se o Irã tiver uma, duas ou dez bombas, o que poderia fazer com elas? Tem mísseis para atacar o sul/sudeste da Europa: para que? Colocaria uma bomba em solo americano? Se fizer isso, a reação americana deverá ser pulverizar literalmente todas as cidades iranianas. É a lógica.

Portanto, além do preço do petróleo, realmente custo a ver um cenário onde um Irã nuclear possa representar uma ameaça verdadeira. Toda a pressão que ele poderia fazer tendo a bomba, já faz sendo apenas o quinto maior produtor de petróleo. A pressão de alívio de preços que Rússia, EUA, México, Inglaterra, Canadá, os países do consórcio do Mar do Norte, Noruega e Holanda poderiam fazer, simplesmente não existe.

judeu